TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO ENQUANTO TÉCNOLOGIAS DE APOIO NO ÂMBITO DO ENSINO ESPECIAL


Tecnologias de Informação e Comunicação: Um desafio!

Ao falarmos das Tecnologias de Informação e Comunicação, no âmbito do ensino especial, parece-nos fazer todo o sentido centrar estas palavras no factor humano, ou seja, naqueles a quem as tecnologias devem servir e neste caso específico as pessoas com necessidades educativas especiais.
Actualmente são indiscutíveis as vantagens das tecnologias de informação e comunicação mas estas por si se não forem integradas nas actividades educativas e diárias dos indivíduos, podem em vez de ajudar, representar mais uma barreira para os sujeitos em causa. Hoje, o conceito de tecnologia de informação e comunicação, como meio auxiliar nas actividades de algumas pessoas, assume o seu enfoque mais no utilizador que na própria tecnologia de informação e comunicação enquanto tecnologia de apoio.
Neste contexto as tecnologias de informação e comunicação não podem ser consideradas isoladamente, como um tipo de tecnologia específico, mas sim como a implementação de uma particular tecnologia aplicada ao serviço da pessoa com necessidades especiais. De facto o objectivo final é contribuírem para o aumento da qualidade de vida dos utilizadores, ajudando a ultrapassar e a resolver os seus problemas funcionais de forma a reduzir a dependência e contribuir para a sua inclusão em diversos contextos.
Cada ser humano pelo complexo facto de ser da raça humana, individualmente ou integrado num grupo específico, tem necessidades e estas necessidades pessoais ou sociais são especiais para cada um de nós. Deste modo é abusivo pensarmos que somente as pessoas com alguma deficiência tem necessidades especiais. Na sociedade que escolhemos construir existem conceitos que são meros artifícios, ou seja, dependem da perspectiva em que cada um e coloca (Ortega, 1986).
Estes mecanismos de condução e domínio do real são sistemas de referência que permitem ao homem interpretar a multiplicidade de ocorrências e dar um sentido ao que nos custa entender. Criamos mecanismos, sistemas e categorias que nos permitem lidar com a realidade quotidiana aquilo que em última análise denominamos de representações sociais.
No entanto, actualmente, encontra-se quase generalizada a ideia de que a existência de diferenças entre os seres humanos é condição primeira para a existência de mudanças, sejam elas conjunturais e/ou estruturais. A palavra diferença assim como as práticas de exclusão são produto de construtos sociais e culturais que condicionam as atitudes, os valores, as crenças e mesmo a legislação.
Cada momento presente pressupõe um passado mas sobretudo pressupõe a transformação desse mesmo passado na perspectiva do permanente (re)encontro de e com novas formas de ser e estar. Uma dinâmica sociocultural e, sobretudo, de valores vistos estes como algo mutável. Os valores não são eternos mas sim o processo da vontade criadora do ser humano logo, mudados sempre que não correspondem à função para que foram criados ou não sirvam os novos desígnios do ser humano. Nesta perspectiva podemos tentar compreender a influência que podem ter alguns conceitos e práticas, numa colectividade especifica e/ou em determinados tempos, bem como a própria delimitação que é feita entre o normal e o patológico. O normal e o estigmatizado, por muito que o tentemos negar, são parte um do outro. São o todo que constitui cada um de nós.
Na educação e concretamente na escola esta dicotomia entre alunos normais e alunos especiais tem cada vez menos razão de existir. É inegável que actualmente uma maior heterogeneidade de alunos frequentam as escolas, parece-nos que adaptar os contextos e as dinâmicas é o percurso que nega a tentativa de continuarmos a adaptar os comportamento dos alunos aos contextos. Respostas iguais para pessoas diferentes é negar o próprio processo de evolução humana. Culturar a média e aceitar nos outros somente as diferenças que mais se aproximam das nossas próprias diferenças não facilita os percursos de mudança e de tolerância. Não podemos ficar indiferentes ao aumento da exclusão sabendo que no nosso país a grande riqueza é o factor humano, não duvidando que o seja em qualquer outra sociedade. Deste modo perspectivam-nos num modelo ecológico, no qual os problemas se deslocam dos indivíduos para os contextos e para a qualidade das interacções que neles se realizam, Neste momento e, inevitavelmente, teremos que falar de currículo. Sendo o currículo um conjunto de competências e propósitos de ensino construídos com base num consenso alargado sobre as melhores práticas no sentido de assegurar a continuação de uma cultura (Oakes; Gameron & Page, 1992) e estando nós cientes que qualquer cultura é dinâmica e mutável um currículo deve assegurar a mudança e o progresso. Deste modo o currículo torna-se o eixo fundamental nas práticas de inclusão. Um currículo flexível que seja facilitador da participação e não uma barreira.
Inclusão e currículo assentam nos mesmos três eixos essenciais: políticas, práticas e culturas. Neste sentido, diferenciação curricular não pode significar a manipulação da heterogeneidade dos alunos, quanto à cultura, motivações e competências. Diferenciar é sobretudo proporcionar várias formas e meios de trabalho que possibilitem a todos os alunos conquistarem níveis de desenvolvimento superiores aos que possuem.
Tudo o que temos vindo a escrever são sem dúvida desafios. Desafios que se nos colocam a cada um de nós. As práticas de inclusão existem 1uando assumidas por cada um de nós na mais banal atitude do dia a dia. Desafio porque a escola tem que se interrogar se o insucesso dos alunos, ou melhor, de alguns alunos, não será o insucesso da escolas. Só proporcionando aos grupos minoritários as ferramentas e utensílios necessários para poderem interagir numa perspectiva de sucesso será possível à escola ser uma instituição de sucesso.
O papel da escola será o de individualizar e não generalizar. É nestas respostas diferentes e diferenciadas que entram, para além de muitos outros factores as tecnologias de informação e comunicação. No entanto estas não devem ser vistas como exclusivas e milagrosas. Como qualquer meio educativo deverão ser integradas numa estratégia de intervenção bem definida já que por si próprias não alteram nada, não são a solução para todas as situações de incapacidade, são caras e rapidamente ficam desactualizadas. Há então que as enquadrar num estudo correcto que passa por uma avaliação holística do indivíduo.
Sendo a escola parte integrante deste processo não pode ignorar as mudanças que estão a acontecer. As tecnologias de informação e comunicação suscitam enormes expectativas sobre a inovação e eficácia das estratégias de intervenção educativa. É urgente que a escola adopte atitudes receptivas que permitam acompanhar, reflectir e mesmo antecipar as mudanças. As tecnologias de informação e comunicação ao desempenharem com maior eficácia algumas tarefas humanas (memória, velocidade de processamento, controle do envolvimento, comunicação, etc.) assumem no caso de algumas pessoas uma função supletiva capacidades afectadas.
Existem alunos quer denotam uma completa incapacidade em participar em vários contextos, limitando-se as suas experiências a reduzidas áreas do seu desenvolvimento. Esta situação agrava-se quando estes alunos vivenciam experiências muito negativas, vivenciando, por vezes, dinâmicas muito frustrantes, experiências que, sobretudo, as fazem sentir-se incapazes de desenvolver qualquer actividade. Alguns destes alunos quando inseridos numa turma regular se não possuírem tecnologias de apoio que os ajudem a interagir com qualidade terão experiências, por vezes, mais negativas que em situação de exclusão. Este acumular de insucessos fá-las desistir com mais facilidade e arriscar cada vez manos logo a terem menos sucesso.
Nestas circunstâncias, o caminho normalmente trilhado é o da total dependência dos outros, fazendo com que adoptem uma atitude progressivamente mais passiva e desenvolvendo sentimentos de impotência perante solicitações do meio, uma vez que lhe é vedada a possibilidade de agirem sobre o mesmo. Sabemos hoje que o estabelecimento de interacções de qualidade estão estreitamente relacionadas com o sucesso do desenvolvimento do indivíduo, seja emocional e/ou social, situação que influenciará todo o seu funcionamento cognitivo.
As tecnologias de informação e comunicação podem se uma forma importante para que determinados indivíduos ultrapassem, em primeiro lugar as barreiras físicas e por inerência sociais. Alguma s destas barreiras referem-se à incapacidade de manipular objectos de escrita e/ou desenho, assim como a dificuldade em ter acesso a materiais de leitura e, consequentemente, em participar em actividades de literacia. Neste contexto tecnologias de informação e comunicação refere-se a instrumentos tecnológicos colocados ao serviço dos alunos com o objectivo de melhorar as suas capacidades funcionais, contribuindo inequivocamente para o aumento da sua qualidade de vida.
As tecnologias de informação e comunicação representam um contributo inestimável no campo da habilitação e educação, com especial incidência nas áreas do desenvolvimento cognitivo, psicomotor, como meio aumentativo de comunicação e em alguns indivíduos como meio facilitar na realização de tarefas. As tecnologias de apoio são, por vezes, a única alternativa destas populações para poderem interagir com o meio, possibilitando-lhes um verdadeiro acesso à educação, ao trabalho, ao lazer, etc. Estas podem constituir-se como: substituição de todo um sistema de input e/ou de output.
O Papel das tecnologias de apoio ocupa e ocupará durante várias décadas um papel preponderante e reconhecido por todos aqueles que trabalham por e para melhorar a qualidade de vida das pessoas que apresentam qualquer tipo de incapacidade. Mas o mais importante é a reflexão que actualmente se faz sobre a criação de tecnologia concebida para abarcar a maior gama possível de pessoas com distintas capacidades. Desta forma o uso das tecnologias de apoio nas próximas décadas não deve ser sectorial, mas sim integral e globalizante.
Assumimos a apologia do desejável. É na perspectiva deste desejável que encaramos as tecnologias de informação e comunicação, como um desafio.


 

Tecnologias de Apoio

Actualmente é inegável a importância das interacções sociais , no desenvolvimento harmonioso da criança, constatação que é sustentada por numerosos autores entre eles Vygotsky (1979) e Brunner (1985). No entanto quando da verificação de qualquer tipo de desvantagem, essa interacção pode ser parcial ou totalmente afectada. Podemos referir as incapacidades físicas/motoras que originam, quase sempre restrições muito consideráveis, em todo o processo de desenvolvimento pessoal e social.

Em presença de crianças com problemas específicos sabemos da quase incapacidade destas em participar em vários contextos, limitando-se as suas experiências a reduzidas áreas do seu desenvolvimento. Esta situação agrava-se quando estas crianças vivenciam experiências muito negativas, tornando-se para elas algumas dinâmicas muito frustrantes, e sobretudo fazendo-as sentir-se incapazes de desenvolver qualquer actividade. Pôr exemplo estas crianças quando inseridas numa classe regular se não possuírem tecnologias de apoio que as ajudem a interagir com qualidade terão experiências por vezes mais negativas que em situação de segregação. Este acumular de falhanços e fracassos, fá-las desistir com mais facilidade e arriscar cada vez menos.

Nestas circunstâncias o caminho normalmente trilhado é o da total dependência dos outros, fazendo com que as primeiras adoptem uma atitude progressivamente mais passiva e desenvolvendo sentimentos de impotência perante as solicitações do meio uma vez que lhes é vedada a possibilidade de agirem sobre o mesmo. As primeiras interacções que sabemos serem determinantes em todo o processo de desenvolvimento do ser humano, estão na maior parte das vezes longe de poderem ser comparadas tanto na quantidade como na qualidade, àquelas experimentadas por uma criança com desenvolvimento considerado pelos padrões normais. Sabemos, hoje, que o estabelecimento de interacções de qualidade estão estreitamente relacionadas com o sucesso do desenvolvimento do indivíduo seja emocional ou social, situação que influenciará todo o seu funcionamento cognitivo.

As tecnologias de apoio podem ser uma forma importante para que determinados indivíduos ultrapassem as barreiras físicas em primeiro lugar e por inerência sociais. Algumas destas barreiras referem-se à incapacidade de manipular objectos de escrita e/ou desenho, assim como a dificuldade em ter acesso a materiais de leitura e consequentemente em participar em actividades de literacia. Neste contexto tecnologias de apoio referem-se a instrumentos tecnológicos colocados ao serviço da pessoa com deficiência com o objectivo de melhorar as suas capacidades funcionais, contribuindo consequentemente para o aumento da sua qualidade de vida.

As tecnologias de apoio representam um contributo inestimável no campo da habilitação e educação, com especial incidência nas áreas do: desenvolvimento cognitivo, psicomotor, meio alternativo de comunicação e ainda como meio facilitador da realização de uma tarefa. em algumas populações (deficiência severa). As tecnologias de apoio são, por vezes, a única alternativa dessas populações para poderem interagir com o meio, possibilitando-lhes um verdadeiro acesso à educação, trabalho, lazer,...Estas podem constituir-se como: substituição de todo um sistema de out-put, um sistema alternativo de comunicação, uma hipótese de interagir com o ambiente diminuindo dependências, etc. Estas tecnologias de apoio podem ser de vários tipos como por exemplo: altas tecnologias, médias tecnologias, baixas tecnologias e/ou englobarem-se numa vasta área de ajudas técnicas de vária ordem.

Actualmente são indiscutíveis as vantagens das tecnologias mas estas por si só, se não forem integradas nas actividades educativas e diárias dos indivíduos, podem em vez de ajudar, representar mais uma barreira para os sujeitos em causa. Hoje, o conceito de tecnologia de apoio como meio auxiliar às pessoas com deficiência, assume o seu enfoque mais no utilizador que na tecnologia em si, estando-se deste modo perante um novo conceito de tecnologia de apoio.

As tecnologias de apoio não podem ser considerados por si só, como um tipo de tecnologia especifico, mas sim como a implementação de uma particular tecnologia aplicada ao serviço da pessoa com deficiência. De facto o objectivo final das tecnologias de apoio é contribuírem para o aumento da qualidade de vida das pessoas com deficiência, ajudando a ultrapassar e a resolver os seus problemas funcionais de forma a reduzir a sua dependência de terceiros e contribuindo para a sua melhor inclusão em diversos contextos.

No que diz respeito à educação, especificamente, as tecnologias de apoio não são exclusivas nem milagrosas. como qualquer meio educativo deverão ser integradas numa estratégia de intervenção bem definida já que: estas não alteram nada por si mesmas, não são a solução para todas as situações de deficiência, são caras e vulneráveis, isto é, rapidamente ficam desactualizadas. Há então que as enquadrar num estudo correcto que passa por uma avaliação holística do indivíduo.

O papel das tecnologias de apoio ocupa e ocupará durante várias décadas na área da Educação Especial um papel preponderante reconhecido por todos aqueles que trabalham por e para melhorar a qualidade de vida das pessoas que apresentam qualquer tipo de incapacidade, seja de forma intermitente ou permanente. Mas o mais importante é a reflexão que actualmente se faz sobre a criação de tecnologia concebida para abarcar a maior gama possível de pessoas com capacidades diferenciadas. Desta forma o uso das tecnologias de apoio nas próximas décadas não deve ser sectorial, mas sim integral e globalizante.


 

Breve Reflexão sobre as Tecnologias de Informação e Comunicação em Portugal

Na sociedade actual as tecnologias, sobretudo as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), converteram-se num instrumento imprescindível em qualquer contexto e essencialmente em contextos sócio-educativos. Esta é uma área que está a ser, politicamente, equacionada em todos os países da Europa bem como na própria União Europeia. Nesta perspectiva foi produzido pela União Europeia o Plano de Acção Europe (2000) e pela OCDE o estudo da Learning to change: ICT in Schools (2001).

Em Portugal o interesse pelas TIC em contexto educativo tem vindo a crescer, carecendo no entanto de uma provisão sistemática bem como de suportes legislativos integrados. Embora seja de realçar o Livro Verde para a Sociedade de Informação (1996), a Resolução do Conselho de Ministros n.º 96/99 que no que se refere aos alunos com necessidades educativas especiais propõe (i) promover a utilização de computadores, (ii) adaptar o ensino das novas tecnologias e (iii) promover a criação de um programa de formação. É, também, de ter em conta o livro editado pelo Ministério da Educação Estratégias para a Acção – as TIC na Educação (2002).

São ainda de referir alguns projectos (Cidades Digitais, Nónio SÉCXXI, Aladim, Sócrates e UARTE) que de algum modo têm contribuído para o incremento das TIC nas escolas.

O relatório da Agência Europeia para o Desenvolvimento da Educação em Necessidades Especiais sobre tecnologias de Informação e Comunicação nas Necessidades Especiais (2002), no qual Portugal participou, refere algumas questões emergentes como::
·Políticas a nível nacional ou regional;
·Infra-estruturas – acesso à Internet, hardware e software;
·Pedagogia;
·A nível dos professores;
·A nível dos alunos;
·Acesso à informação relevante, investigação e cooperação.

As Tecnologias de Informação e Comunicação além de beneficiarem, em geral todos os alunos, podem beneficiar, sem dúvida, os alunos com necessidades educativas especiais, uma vez que lhes permite desenvolver actividades que antes lhes estavam vedadas. Alguns alunos com necessidades educativas especiais confrontam-se com uma limitação das suas experiências que se confinam a reduzidas áreas do seu desenvolvimento. De um modo geral as Tecnologias de Informação e Comunicação na área das necessidades educativas especiais podem:
·Criar maiores níveis de autonomia;
·Ser um contributo inestimável nas áreas do desenvolvimento cognitivo, psicomotor, meio alternativo de comunicação e como meio facilitador da realização de inúmeras tarefas;
·Ser a única alternativa que alguns alunos com necessidades educativas especiais têm para interagir com o meio envolvente;
·Substituir todo um sistema de out-put;
·Ser uma forma de ultrapassar barreiras físicas e socio-emocionais. Algumas destas barreiras referem-se à incapacidade de manipular objectos de escrita e, ou desenho, assim como a dificuldade em ter acesso a materiais de leitura e consequentemente em participar em actividades de literacia;
·Melhorar a qualidade de vida dos alunos com necessidades educativas especiais;
·Contribuir para uma mudança de estratégias que possibilitem encontrar respostas para alunos que possam estar afastados da escolarização e alguns mesmo da escola;
·Possibilitar que alunos com doenças crónicas graves impedidos de se deslocarem à escola, possam continuar a sua escolaridade acompanhando as aulas a distância;
·Ajudar a resolver alguns problemas funcionais dos alunos com necessidades educativas especiais

Sabe-se, no entanto, que as TIC (i) devem ser integradas nas actividades educativas e diárias dos indivíduos, para que em vez de ajudar não representem mais uma barreira para os sujeitos em causa; (ii) se não forem progressivamente utilizadas menos apetência existirá para se encontrarem novas formas de as potencializar e qualificar; (iii) têm como objectivo final contribuir para o aumento da qualidade de vida dos usuários, ajudando a ultrapassar e a resolver os seus problemas funcionais de forma a reduzir a dependência e contribuir para a sua inclusão em diversos contextos; (iv) se enquadram numa filosofia de respostas diferentes e diferenciadas postas ao dispor dos alunos; (v) suscitam enormes expectativas sobre a inovação e eficácia das estratégias de intervenção educativa; (vi) ao desempenharem com maior eficácia algumas tarefas humanas (memória, velocidade de processamento, controle do envolvimento, comunicação, etc) assumem no caso de algumas pessoas uma função supletiva de capacidades afectadas; (vii) ocuparão durante várias décadas um papel preponderante e reconhecido por todos aqueles que trabalham por e para melhorar a qualidade de vida das pessoas que apresentam qualquer tipo de incapacidade.

Um eixo fundamental de todo o processo é sem dúvida o direito à educação pressupondo neste o acesso ao currículo. Para que este acesso se verifique é imprescindível que se proceda a uma avaliação interdisciplinar de competências de modo a aferir do que o aluno: (i) é capaz de fazer; (ii) como o faz; (iii) como, quando e onde vai utilizar a ajuda técnica; (iv) quais as expectativas do aluno bem como dos sujeitos que directamente lidam com ele; (v) que tipo de mensagens devem estar disponíveis e (vi) o que isso implica no seu desenvolvimento, independência e autonomia. Esta avaliação deve ter presente as potencialidades das TIC e o ambiente envolvente (escola, casa, espaços de lazer, etc.).

A utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação enquanto ajuda técnica deve equacionar, após a avaliação:
(i)a possibilidade de escolha da ajuda técnica em tempo útil;
(ii)a personalização da ajuda técnica;
(iii)o treino do aluno na sua correcta utilização;
(iv)o treino dos sujeitos (docentes, pais, etc.) que directamente interagem com o indivíduo em causa;
(v)a verificação no sentido de aferir se responde à finalidade para que foi escolhida;
(vi)a adequação constante e sistemática às evoluções e/ou regressões nas competências do aluno.

Assumindo-se que as Tecnologias de Informação e Comunicação suscitam enormes expectativas sobre a inovação e eficácia das estratégias de intervenção educativa; torna-se imprescindível que se adoptem atitudes receptivas que permitam acompanhar, reflectir e mesmo antecipar as mudanças.



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Joaquim Colôa
Junho 2003


 

   
 

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